Entrevista Gilberto Resende:

O brasileiro que representa a Ação Maçônica
Internacional - AMI nos EUA


Comerciante explica o trabalho da AMI, desmistifica tabus em torno da maçonaria e fala da importância dos brasileiros no rejuvenescimento desta fraternidade

Débora Vieira - Brazilian Times


A AMI - Ação Maçônica Internacional é uma organização não governamental que tem objetivo de promover a articulação da maçonaria com a comunidade através de ações como o combate à pobreza, a preservação do meio ambiente e a valorização do voluntariado. Tudo aplicada com os princípios de Liberdade, Igualdade e Fratemidade. Assim, segundo os membros desta fraternidade, a maçonaria contribui com o desenvolvimento da sociedade de uma maneira responsável e bastante consciente. Em Framingham o brasileiro Gilberto Resende, 57 anos que faz parte do Grande Oriente de Minas Gerais, é o representante oficial da AMI nos Estados Unidos. Para desenvolver este trabalho ele está visitando Lojas Maçônicas no estado de Massachusetts, onde reside e buscando apoio dos Mestres de Lojas Maçônicas, bem como dos maçons brasileiros e americanos. Em entrevista ao jornal Brazilian Times, Gilberto explica o trabalho da AMI, desmistifica tabus em torno da maçonaria e fala da importância dos brasileiros no rejuvenescimento desta fraternidade em Massachusetts.

BT- Qual o objetivo da Ação Maçônica Internacional?
Gilberto Resende
- A AMI tem como objetivo principal promover a articulação da Maçonaria Universal no desenvolvimento de ações concretas nas comunidades visando aplicação dos princípios fundamentais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade propostos pela Maçonaria. Tem como finalidade primária desenvolver projetos que permitem sua operacionalização nas comunidades, por intermédio dos maçons filiados nos segmentos: defesa, preservação e conservação do meio ambiente; promoção do desenvolvimento sustentável; promoção do desenvolvimento econômico e combate à pobreza; estudo e desenvolvimento de tecnologias alternativas, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos; promoção do voluntariado; e o resgate social dos menos favorecidos econômica e/ou intelectualmente. Tem como foro instalado a cidade de Belo Horizonte, podendo estabelecer filiais em quaisquer partes do mundo em conformidade com o que estabelece o Regimento Interno da Entidade. Poderão participar da Ação Maçônica Internacional todas as Lojas Maçônicas e seus membros.

BT- Com está seu trabalho com a AMI aqui?
Gilberto Resende
- Recebi um documento da Ação Maçônica Internacional, me nomeando representante único da entidade aqui nos Estados Unidos e também do Grande Oriente do estado de Minas Gerais. Fui a Boston em maio e conversei com o Grão Mestre da Grande Loja de Massachusetts,Donald Hicks. Na reunião discutimos muitos pontos da maçonaria, da globalização, das diferenças da maçonaria americana e brasileira. Expus as necessidades que temos em ajudar as pessoas carentes no Brasil e como funciona a maçonaria brasileira que é totalmente diferente daqui, por razões até de poder aquisitivo. Enquanto a maçonaria aqui é rica, no Brasil lutamos muito para ajudar os irmãos que necessitam na área de saúde, alimentação e moradia. No Brasil a maçonaria é muito atuante.

BT- Mais que nos Estados Unidos?
Gilberto Resende
- Muito mais. E muitas vezes os maçons que estão lá não sabem. Foi isso que descobri aqui justamente por esta diferença de poder aquisitivo. A maçonaria aqui é rica e tem lojas com vários milhões de dólares aplicados. Já no Brasil nós temos que fazer: campanhas e organizar eventos para angariar fundo para ajudar as crianças, os idosos e a sociedade carente.

BT - Além da diferença econômica, existem outras diferenças entre a maçonaria americana e a brasileira?
Gilberto Resende
- Um dos pontos que nós discutimos bastante foi que na maçonaria
Americana, pelo menos nas lojas que visitei em Nova York e aqui, só pessoas de mais idade participam. É raro encontrar jovens, pessoas de 30 a 40 anos. No Brasil as lojas investem nos maçons mais jovens. Comentei com o Grão Mestre que os jovens que fazem parte das lojas aqui em Massachusetts são na maioria os brasileiros. Na Loja North Star de Ashland o quadro é de 30 membros, 23 são
brasileiros e nas lojas de Framingharn também temos um grande número de brasileiro hoje, sem contar outras cidades de Massachusetts.

BT- O Grão Mestre e os americanos têm conhecimento dessa renovação da maçonaria
através dos brasileiros?
Gilberto Resende
- Sim. Ele inclusive gostou muito da proposta da Ação Maçônica e está muito contente com essa a renovação proporcionada pelos membros brasileiros.

BT- Quais os próximos passos do trabalho da AMI?
Gilberto Resende
- A minha intenção agora é angariar fundos para ajudar os brasileiros. Nós precisamos de ajuda. A AMI é uma Organização Não Governamental, dirigida por homens sérios, um grupo de maçons de alto nível. A é maçonaria tem esse dever de ajudar. Eu pretendo ir aos jornais americanos falar a isso. O pouco que se envia para o Brasil, é muito lá e ajuda. Muitas coisas que estão paradas aqui, como materiais médicos ou dentários, fazem uma grande diferença em lugares pobres no Brasil.

BT- Sempre que se fala em maçonaria, vem a cabeça das pessoas que não conhecem esta fraternidade aqueles velhos tabus de "pacto com o Diabo" e coisas neste sentido. Afinal o que é a maçonaria?
Gilberto Resende
- Eu sou evangélico e fui criado em uma família católica. Estes tabus com relação à maçonaria vem do tempo da inquisição na Idade Média, quando a Igreja Católica, por medo de uma concorrência, combateu severamente outras religiões e também a maçonaria, que é uma fraternidade, condenando pessoas que não fossem católicas à fogueira. Por isso, por muito tempo a maçonaria teve que ficar em segredo. O papa João XXIII fez uma oração pedindo perdão pelo que a igreja fez à maçonaria. A igreja católica achava que a maçonaria era uma concorrente. Mas a maçonaria não é uma religião. Dentro da Maçonaria temos padres e pastores. Um exemplo, é um pastor da Igreja Assembléia de Deus em Belo Horizonte, ele é maçom há 25 anos e pastor há 20 anos. Para entrar na maçonaria primeiro a pessoa precisa acreditar em Deus e ter uma religião. Não se questiona sua religião, mas tem que acreditar em Deus. Não se abre uma reunião maçônica, sem ler um versículo da Bíblia, principalmente o salmo 133, por isso quando oramos a Deus o inimigo fica longe.