Biodiesel

Paraíba prepara-se para ampliar cadeia produtiva de mamona
Fonte site: http://www.arvore.com.br



A Paraíba tem hoje cerca de 1.000 hectares plantados, área que poderá ser ampliada significativamente já que o Estado possui 46 municípios zoneados para o cultivo de mamona de sequeiro, com potencial para cultivar 200.000 hectares apenas em áreas de sequeiro.

Pesquisadores da Embrapa Algodão estão envolvidos num projeto encomendado pela Petrobrás para a produção de biodiesel a partir do óleo da mamona (Ricinus communisL.)."A empresa está com uma planta de produção (Usina) praticamente pronta em Esteio (RN), com capacidade de processar 10 toneladas de baga de mamona por dia, ou seja, 300 toneladas por mês, o equivalente a 3.720 toneladas/ano, que corresponde a um plantio de aproximadamente 4000 hectares", informa o pesquisador Napoleão Beltrão Esberard.

Uma outra usina deverá ser implantada em Mossoró com capacidade para processar 200.000 toneladas de bagas de mamona por ano.

A Petrobras pretende reutilizar a água fossilizada dos poços de petróleo para a irrigação de mamona na produção de biodiesel. A empresa dispõe anualmente de cerca de 60 milhões de metros cúbicos de água que podem ser tratadas para fins de irrigação.

O pesquisador José Renato Cortez Bezerra explica que dois problemas precisam ser contornados inicialmente para a viabilidade do cultivo da mamona pela Petrobras no Rio Grande do Norte: "A mamona é muito sensível à presença de sais na água e seu cultivo só é recomendado em altitudes acima dos 300 metros". Como a água dos poços está praticamente ao nível do mar, crescem as dificuldades para o cultivo da mamona próximo às fontes da Petrobras no litoral potiguar.

O interesse da Petrobras na produção de biodiesel não é à toa: a cotação da tonelada do óleo de mamona alcançou os US$ 1.100, num aumento de mais de 57% em relação aos preços de 2001. O desempenho vantajoso do derivado da oleaginosa está atraindo o investimento de grandes empresas, como a da multinacional americana Bayfront, que vai instalar no Planalto da Borborema, até julho uma processadora de mamona com capacidade de beneficiar 100 toneladas por dia.

No Ceará, a empresa Santana Sementes está oferecendo um contrato de compra da produção dos produtores de mamona e a pretensão é de se ter no Estado pelo menos 10.000 hectares plantados com esta euforbiácea na safra de 2004.

O principal atrativo que a Paraíba oferece é o custo baixo de produção da mamona, cerca de R$ 800,00 por hectare cultivado em condições de sequeiro. Outra vantagem tem sido a utilização de cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS 149 Nordestina, cujo teor de óleo na semente é de 48,90% e a produtividade média, em semente, sem adubação, é de 1.500 quilos por hectare nas condições semi-áridas do Nordeste, em anos normais quanto à precipitação pluvial. A estatal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento desenvolve pesquisas de melhoramento genético da cultura, cujos objetivos é fazer aumentar o teor de óleo das sementes de mamona para 60%.

A reunião deve discutir também questões como zoneamento da cultura no Estado, capacitação de técnicos e agricultores, assistência técnica e organização da base primária nos municípios paraibanos e o financiamento e aquisição da produção. Além de pesquisadores da Embrapa, o evento deve reunir representantes da Secretaria de Agricultura do Estado, da Federação da Agricultura, do Senar-PB, da Emater-PB, dos Bancos do Nordeste e do Brasil e de empresários ligados ao beneficiamento da mamona.

O Brasil tem potencial para fornecer mais de 60% do biodiesel em substituição ao diesel que o mundo inteiro consome atualmente. Somente de babaçu temos no Brasil 17 milhões de hectares nativos. A agricultura brasileira consome 6 bilhões de litros de diesel que poderiam ser totalmente substituídos pelo biodiesel produzido no país.

A Bahia é o maior produtor nacional com cerca de 82 mil hectares plantados na atual safra, sendo 80% dessa área na região de Irecê. A cultura possui ainda um forte componente social, já que é cultivada principalmente por pequenos produtores. (Embrapa)


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